Sampaio in CZ
Friday, May 26, 2006
  Vyšehrad
Um dos locais mais antigos de Pragas é Vyšehrad, um castelo situado um pouco afastado do centro turístico, mas muito bonito, com um visual da cidade tão bonito quando o Petrn Park. Para chegar ao mesmo basta usar a linha vermelha do metrô e descer na estação que leva o nome do castelo. Existe uma lenda, de que o primeiro assentamento de Praga se deu nesse local, mas acho que deve ser o terceiro local onde o primeiro assentamento se deu... :)

Na foto ao lado observa-se ruínas de uma das partes da fortaleza do século XI ou XII. A muralha do castelo é impressionante, especialmente pelo tamanho da área protegida. Acredito que mais de 2 quilômetros quadrados, exatamente sobre o rio, ao sul do centro histórico.

O lugar muito bom para caminhadas e corridas, pois não é abarrotado de turistas como o centro, e é ligeiramente plano. A visão da cidade por esse ângulo também é bastante interessante, e mais uma vez prova como essa cidade é especial. Foi uma pena esse lugar cair sob dominação Soviética, considerando que fica mais a Oeste que Viena, por exemplo. Se Praga estiveese do lado ocidental, acredito que hoje seria um dos maiores destinos turísticos do mundo.

A rotunda ao lado, foi construída originalemente no século XI e reformada posteriormente. Há uma igreja (S.Pedro e S.Paulo) no meio do parque.


Há alguns cafés e restaurantes bacanas dentro do parque.

Ótimo lugar para uma tarde.


Finalizando, deixo minha reclamação ao odor público daqui. Alguém precisa convencer o povo aqui que suas axilas não são patrimômnio histórico. Não sei se é falta de desodorante ou banho, e também não vou perguntar para um Tcheco, mas quando um deles vem na sua direção com os braços levantados dá vontade de chorar....
 
 
 
Thursday, May 25, 2006
  Kutná Hora

Acordamos no domingo e fomos nos aventurar pela Bohemia com um trem comum. A estação de trens que está no metrô (linha Amarela) Namesti Republiky (Isso mesmo, é a Praça da República daqui, obviamente com 5% do tamanho da versão paulista) está conectada a Masarykovo Nadrazi de onde saem os trens. A estação está bastante velhinha e mal cuidada, mas é limpa e aparentemente segura. Possui apenas algumas plataformas, e a maioria dos trens percorre o interior do país. Acho que seria uma estação para os trens da CPTM de São Paulo, mas sem ninguém surfando no teto.

O trem é velhinho, e você vê nos vidros "Made in Cekoslovakia". Os bancos são parecidos aos dos CMTC do fim da década de 80, de um plástico azul. Enfim, ele balança bastante, para de 5 em 5 minutos no caminho e depois de 1h50 percorre os 87Km até Kuta Hora, um para leste de Praga, próximo a cidade de Kolín. O divertido é analisar as figuras que se encontra por aqui. Havia um tiozinho de calça social preta e blazer azul petróleo com uma gravata borboleta.

Como eu durmo em qualquer lugar, fui me cochilando até o destino final. A cidade é completamente isolada, e completamente vazia. Apesar de possui uma quantidade de construções razoável, você quase não encontra ninguém nas ruas, somente alguns turistas. Além dos bandos de Orientais e suas câmeras assassinas.

Da estação até o centro da cidade são 3100 metros, e facilmente se pode caminhar, pois o terreno até o centro é plano e o lugar tranquilo. A primeira Igreja que encontramos é do século XII, mas foi destruída e reconstruída no século XVIII. A Igreja fica ao lado de uma fábrica imensa da Phillip Morris, que deve ser ríquissima aqui, já que só eu a Sole não fumamos em todo o país. A igreja está vazia e fechada, pela reforma. Aqui você tem a sensação de que o governo ainda está pedalando para conseguir deixar o país pronto para os turistas.

Continuando o caminho está um dos pontos altos da cidade, uma igreja que se chama "Ossuário". Detalhe para mais uma torre anti-peste. A foto abaixo mostra a razão do nome. A igreja é decorada com ossadas de 40.000 pessoas enterradas em valas comuns na região. Existem 4 pirâmides de ossos, como a do lado, e todos os demais detalhes são assim. É um pouco impressionante no início, mas depois se observa o criativo trabalho, nas diversas esculturas e objetos preparados com os ossos. Um dos mais bem trabalhados é o lustre central, que impressiona pelo tamanho e pela perfeição na seleção do osso adequado para cara peça. Outros detalhes bastante ricos são pias batismais e os contornos dos arcos e paredes. A idéia do arquiteto Tcheco foi transmitir a mensagem:"Todos são iguais após a morte, portanto aqui serão usados ossos de ricos e pobres sem distinção. Imagina o que daria para ser feito com as valas comuns do Capão Redondo? Poderíamos reproduzir as pirâmides do Egito, fácil. Um dos detalhes mais interessantes é um escudo de armas pertencente a uma das importantes famílias Nobres (uma das que viveram no castelo de Krumlov, pois vimos o mesmo escudo lá). Como a tal família venceu uma importante batalha contra os Turcos, eles adicionaram uma homenagem a tal batalha no seu brasão. Seria uma lenda de que ao fim da batalha, Corvos comeram os olhos dos Turcos mortos. Resultado... Mataram um corvo para representar o escudo com realismo.

A igreja é toda cheia de simbolismos, realmente recomendável.



A cidade de Kutná Hora se desenvolveu sobre uma grande mina de prata que existia na região. Boa parte dos recursos do reino da Bohemia foram financiados pela tal mina, e no auge da exploração (séculos XIV e XV) a cidade desejava se tornar mais importante que Praga. A visita que fizemos a mina de Prata é muito interessante, mas não é recomendável para quem tem claustrofobia. Você recebe um traje de minerador, uma lanterna e desce uns 80 metros pelas galerias superiores da mina, enquanto a guia conta um pouco sobre a exploração do metal. Realmente é impressionante, a dificuldade para escavação, especialmente considerando toda a avançada tecnologia do século XIV e XV. Em um dos momentos da visita, a guia pede para que todos desliguem as lanternas para reproduzir a sensação dos mineradores. Aquilo sim é o escuro absoluto, assustador. Eles utilizavam uma vela pequena que iluminava pouco mas refletia sobre os aventais brancos, essa a razão da cor dos mesmos. O tour dura uns 45 minutos pela mina, por túneis estreitos que as vezes dão sensação de desespero quando os atravessa. Qualquer cidadão com mais de 1.80M deve sofrer aqui. A mina teve suas atividades interrompidas no século XVII, já que o metal havia ficado a muitos metros de profundidade, e as descobertas do metal na América Latina tornaram a atividade pouco rentável. No final há um museu com a história do processo de cunhagem de moedas.

O visual da cidade é lindo, especialmente sobre uma colina ao lado de onde as moedas eram cunhadas. Observa-se a Igreja de Sta Bárbara (padroeira dos mineradores) e o colégio Jesuíta (ainda em reforma e fechado ao público). O caminho até a Igreja é bacana e se passa por diversos restaurantes, onde almoçamos. Comida excelente e atendimento muito superior ao padrão daqui. O nome eu não sei, mas o lugar está na foto abaixo. Cerveja boa e barata, lugar tranquilo, temperatura agradável.... To parecendo besta, mas realmente isso é vida. A placa ao lado está na porta do prédio onde as moedas eram cunhadas. Não entendo tcheco, mas dá pra perceber as referências bacanas a sorte dessa região:"Primeiro o nazismo, depois o Comunismo". A igreja de Sta Bárbara é bonita, mas já cansa um pouco pois é o mesmo estilo Gótico por fora e barroco por dentro de quase todas as igrejas dessa região.
A cidade é muito boa para caminhadas, com um parque bonito abaixo da colina, passando ao lado do riacho que inundou a tal mina de prata anos atrás. Todo o lado esquerdo do rio, foi construído sobre a terra extraída para a perfuração da mina. Acho que deve ser uma montanha de uns 80 metros de altura com quase 1Km de extensão.

Voltamos para Praga, saindo da mesma estação em Kutná Hora, no trem das 20h10, chegando 22hs... Canasados...
 
Wednesday, May 24, 2006
  Café
Depois que se desacostuma aos bons expressos, a solução é encontrar um lugar com um bom Capuccino ou Latte, por preços decentes, e o Coffee Heaven é uma boa alternativa. Sendo uma cadeia com lojas em Shoppings (Flora) e na rua (No fim da Vaclavske Namesti a direita (Na Prikope), na Staromesteka, etc), você paga 43 coroas (4,3 R$) por um copo razoável de um bom "café com leite". Os restaurantes e cafés cobram por volta de 70 Coroas por cafés de qualidade bastante razoável, isso quando eles estão quentes. Além disso os bolos e cheesecackes são ótimos.

Além disso, a loja é bastante agradável, sempre com música ambiente (várias vezes eu escutei Vinícius, Caetano, etc), atendimento rápido, etc. Padrão Britânico de qualidade ;) Alguns textos nas paredes também são bastante inspiradores.
 
  Český Krumlov
Essa cidade (pronuncia-se Tcheskí) fica a uns 180Km de Praga, na direção da Áustria, quase na fronteira sudoeste do País. Fomos com o tal do Martin Tour, que também eu usei para ir ao campo de concentração de Terezin em fevereiro. Viajar com excursão nunca é a melhor alternativa, pelos horários e a eterna busca em agradar a todos. Mas como o lugar é um pouco longe e não estávamos afim de alugar um carro... Depois descobri que havia um trem que chega até lá.

Nas estradas, agora sem neve, percebe-se o uso intensivo da terra para agricultura. Eu só não consegui identificar o que são essas flores amarelas que cobrem mais de 1/4 de toda a terra do interior.

As estradas estão realmente muito bem conservadas, e as obras são constantes para correr atrás do prejuízo. Nessa direção as estradas são ainda melhores do que na direção oeste Plzen->Munique->Frankfurt.

Krumlov é uma cidade que foi construída lá pelo século XI e desde então vem sendo destruída por incêndios, guerras e reconstruída. Após o século XVII não houveram mais grandes destruições, e o lugar vem sendo conservado desde então. A Unesco delcarou a cidade patrimônio histórico da humanidade após o fim do regime Soviético. Chega-se através de um Castelo, que é a grande atração da cidade. O Castelo fica atrás de um Rio (um dos braços do Vlatva). A foto ao lado mostra o que se pode ver pelas aberturas existentes na muralha do acesso superior ao castelo. O rio em formato de ferradura protege a envolve a cidade, sendo que do outro lado existe uma colina. A cidade é muito bem conservada, e possui diversos restaurantes típicos com a Cerveja da região (Eggenberg), que leva o nome de uma das famílias que viveu no castelo. Diz a lenda que o nome da cerveja foi escolhido por que a tal família não possuía mais poder na época, e não poderia criar problemas para os cervejeiros. Almoçamos em um restaurante próximo a praça da cidade, nada de espetacular, e a cerveja é boa, mas a Urquel e Staropramen ainda superam. O centro é bem agradável, e bastante conservado, com ruas estreitas e casas renovadas. O tempo agradável com a temperatura por volta dos 19/20 graus, permite que você fique no Sol que se forme uma poça sob seus pés :)

De alguns lugares do centro pode se observar o Castelo por inteiro, que é bastante grande. É interessante observar um símbolo pintado em uma série de prédios da cidade, e também dentro de todo o castelo. O símbolo de um enevelope, é bastante parecido com a bandeira Tcheca, e parece ter influenciado a bandeira do país. Não encontrei informações sobre isso na web, mas não acredito na coincidência.
O Rio é bastante limpo (como em todas as partes do país que estive até agora), e percebe-se a importância que dão a conservação do mesmo, por sua vital importância econômica (e agora turística).

O Castelo foi construído sobre uma colina de pedras, e percebe-se que a mesma foi usada como parte do alicerce do mesmo. Outra coisa interessante é o significado desses monumentos nas praças das cidades com um poste e imagens de santos, jesus, etc. Eles acreditavam que as pestes eram castigos divinos, e que esses adornos protegeriam as cidades da fúria divina. Mal sabiam eles, que um bom banho poderia ajudar mais que o monumento. Mesmo porque, as pestes se foram, mas o banho não veio (o que é mais evidente com a temperatura acima de 10 graus) hehe.

O castelo tem uma história interessante, pois foi ocupado por 3 diferentes famílias que foram comprando ou herdando da anterior. Nenhuma das famílias era real, mas sim pessoas ricas e influentes politicamente na região. Por uma questão de $$$ o castelo é praticamente todo decorado com desenhos de pedras, pois não havia dinheiro para trazer pedras "de verdade".

Cada família construiu uma parte do castelo, sendo que um dos primeiros moradores matou sua mulher que então se transformou em um fantasma, habitando até hoje o local. Diz a lenda que ela usa luvas coloridas retaltivas ao seu "humor" no momento. O próprio assassino morreu no castelo e se transformou no segundo fantasma do castelo, e parece que esse realmente é "do mal", assombrando a vida dos moradores da região. O castelo também tem alguns ursos, mantendo a tradição das antigas famílias que sempre criaram esses animais ali. Nos diversos quartos do castelo, observa-se vários tapetes de ursos.

O castelo é muito bem conservado e a visita leva a todos os aposentos dos seus moradores ilustres, e aprende-se um pouco sobre os rituais da época. Alguns são interessantes, como obrigar o visitante a beber uma garrafa de 1 litro de vinho Moraviano misturado com água, como sinal de respeito ao nobre. E isso numa golada só, o que deveria ser um martírio considerando o que se fala dos vinhos da Morávia. As mesas de banquete bem caracterizadas, algumas sem talheres que somente foram introduzidos entre o século XVII e XVIII.

Voltamos a Praga depois, e aproveitamos o bonito sábado, com sol até as 21hs ;)

 
Saturday, May 20, 2006
  Primavera de Praga...
Nada de movimentos revolucionários. A "estação Primavera" merece um elogio em Praga.

Já saindo do aeroporto, é possível perceber a enrome mudança na paisagem. É incrível como toda a cidade é arborizada, e não se percebe no inverno. No inverno existe uma sensação de que a cidade não está muito bem conservada, especialmente em relação aos parques e praças. O marrom do inverno é tomado completamente pelas folhas verdes, e a cidade fica ainda mais charmosa.

Realmente, perdemos a noção de como uma cidade pode ser agradável, enquanto ainda cidade. Para quem ficou em São Paulo 45 dias, a sensação é de chegar ao mundo civilizado. Não quero dizer DESENVOLVIDO, mas CIVILIZADO. Esse país não tem números e indicadores de primeiro mundo, e nem a economia similar, porém o desenvolvimento não é premissa para a qualidade de vida. E como segurança é trauma para quem veio da terra do PCC (até em Jornal Tcheco a sigla aparece) olhar um carro blindado da Brinks como esse parece piada.


O bonde da Vaclavske Namesti fechado todo o inverno vira um simpático café no meio da praça, e a quantidade de restaurantes com área externa é imensa. O Hotel atrás do bonde, é o Grande (na verdade ele é pequeno) Hotel Europa. Da sacada do último andar desse prédio foi declarada a Independência da Tchecoslováquia do controle Soviético, no que foi chamada a revolução de veludo, pois não houve sequer um combate. Esse é um grande orgulho deles... Eu sempre concordarei com a frase: "Evolution not REVolution", e parece que eles também.

No escritório, o pessoal comenta que essa é a "Garden Season", onde é obrigação de todos almoçar ao ar livre. Com a temperatura entre os 11 a noite e os 21 no meio da tarde, com um sol forte durante todo o dia, eles tem toda a razão. O dia dura uma eternidade. Hoje (me adaptando as 5 horas de fuso) fui dormir as 4h40 da manhã, e o dia já estava claro. E as 9hs da noite o céu ainda está azulado.

A quantidade de pessoas nas ruas é absurda, e restaurantes, cafés e lojas se mantém abertos até bastante tarde, para receber o imenso número de turistas. A quantidade de Espanhóis nas ruas é surreal. Me pediram informação umas 3 vezes nos últimos 2 dias... todos Gallegos.

Os passeios de barco são retomados em grande intensidade, e pode-se observar algumas pequenas eclusas funcionando.




O Petrn Park fica muito bacana nessa época, com uma área adicional aberta. Muito bem conservado e tranquilo. Pode-se passear sem stress e descansar em algumas áreas completamente vazias.

Esse museu é uma sala de espelhos construída para uma exposição em Praga no século XIX. Ao final da sala, há um quadro enorme que foi exposto na ocasião da expo retratando uma batalha entre os Suecos e os Bohemios na ponte Charles (Guerra dos 30 anos). Muito bem caracterizado, com alguns canhões, capacetes e armas colocados na frente da pintura (Os Suecos perderam a batalha, é claro). Paga-se 20 coroas (R$ 2) por pessoa. Ao final do parque, tem-se uma boa vista da cidade, agora com toda a colina verde...

Retifico meu comentário acima sobre a obviedade da vitória Bohemia e o quadro comemorativo. Hoje os Tchecos perderam de 4x0 para a Suécia na final do campeonato mundial do Hóquei no Gelo e as ruas estão cheias de pessoas comemorando. Sinceramente, considerando que esse é o primeiro esporte nacional, eu não consigo imaginar a Avenida Paulista cheia de gente comemorando os 3x0 para a França na copa de 1998.

Descendo em direção ao rio, passamos por um lugar que não conhecia, que divide ao parque ao meio e chega até a rua que dá acesso a Ponte Charles.

O lugar também é muito tranquilo e bastante bem conservado. A cidade é lotada de tursitas, mas eles ficam todos nos pontos tradicionais: entre as duas praças da cidade velha e nova. Fora desse eixo, você pode caminhar tranquilo.


Nada como terminar o dia com um café na praça da cidade nova, com o Sol se pondo após as 20h45. A rua cheia de pessoas caminhando, o comércio aberto. Nem parece a Praga (cidade) do inverno onde fui tocado de alguns cafés as 20h30.

Com relação ao passeio de barco pelo rio, não recomendo. Sinceramente não vale a pena, mesmo porque os guias turísiticos não fazem muita questão de explicar em Inglês e ficam grunindo no idioma Venuziano deles, atrapalhando a gravação em Inglês.
 

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